Gordura no fígado: a doença que cresce junto com a obesidade
23 Sep, 2026Re9 Agência
Você provavelmente conhece alguém que recebeu o diagnóstico de "gordura no fígado" em um exame de rotina e ficou surpreso porque não sentia absolutamente nada.
Esse é exatamente o perfil da doença: silenciosa, comum e subestimada. E que, se não tratada, pode evoluir para condições muito mais graves.
O que é a gordura no fígado?
O nome médico é esteatose hepática, e ela acontece quando o fígado acumula gordura em excesso nas suas células. Uma quantidade pequena de gordura no fígado é normal, mas quando esse acúmulo ultrapassa certos limites, o órgão começa a ter sua função comprometida.
Existem dois tipos principais:
Esteatose alcoólica: causada pelo consumo excessivo de álcool, que sobrecarrega e inflama o fígado ao longo do tempo.
Esteatose não alcoólica: a mais comum atualmente, não tem relação com álcool e está diretamente ligada à obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada. É esse tipo que vem crescendo em ritmo acelerado no Brasil e no mundo.
Por que está aumentando tanto?
A resposta está no espelho da sociedade moderna: mais alimentos ultraprocessados, mais açúcar, mais gordura saturada, menos atividade física e mais obesidade.
O fígado é o principal órgão responsável por processar gorduras e açúcares. Quando recebe mais do que consegue processar, começa a armazenar o excesso dentro das próprias células. Com o tempo, esse acúmulo infama o órgão, e a inflamação, se não controlada, pode evoluir para fibrose, cirrose e até câncer de fígado.
Quais são os sintomas?
Na maioria dos casos, nenhum. É por isso que a doença costuma ser descoberta por acaso, durante um ultrassom ou exames de sangue pedidos por outro motivo.
Quando os sintomas aparecem, geralmente indicam que a doença já está em estágio mais avançado:
Cansaço persistente sem causa aparente;
Desconforto ou dor leve no lado direito do abdômen;
Sensação de peso após as refeições;
Barriga inchada.
Quem tem mais risco?
Pessoas com obesidade ou sobrepeso;
Diabéticos ou pré-diabéticos;
Quem tem colesterol ou triglicerídeos elevados;
Hipertensos;
Sedentários;
Quem consome álcool com frequência;
Pessoas com síndrome metabólica;
Como é feito o diagnóstico?
O principal exame é o ultrassom abdominal, que consegue identificar o acúmulo de gordura no fígado. Exames de sangue como TGO, TGP e GGT avaliam se há inflamação. Em casos mais avançados, pode ser necessária uma biópsia para avaliar o grau de comprometimento do órgão.
Tem tratamento?
Não existe medicamento específico aprovado para a esteatose hepática não alcoólica; o tratamento é baseado em mudança de hábitos. E a boa notícia é que o fígado tem uma capacidade impressionante de se regenerar quando as condições melhoram.
As principais medidas são:
Perda de peso gradual: uma redução de 7 a 10% do peso corporal já é suficiente para melhorar significativamente o quadro;
Alimentação equilibrada: reduzir açúcar, ultraprocessados e gorduras saturadas; aumentar fibras, frutas e vegetais;
Atividade física regular: pelo menos 150 minutos por semana de exercício moderado;
Controle do diabetes, colesterol e pressão arterial;
Eliminar ou reduzir drasticamente o consumo de álcool.
Sua saúde é seu bem maior
Gordura no fígado não dói, mas faz estrago. E o pior é que muita gente convive com ela por anos sem saber, até que o problema já avançou demais.
Se você está acima do peso, tem diabetes ou não faz exames há algum tempo, peça ao seu médico para avaliar o fígado. No Hospital Memorial, podemos cuidar de você.
Para agendar consultas, ligue ou mande mensagem para (87) 3862-8900.