Quando o medo toma conta do corpo: Síndrome do Pânico
25 May, 2026Luana Rocha
O coração dispara, a respiração fica difícil, as mãos tremem e uma sensação avassaladora de que algo muito grave está acontecendo toma conta do corpo. Muitas pessoas que passam por isso acreditam estar tendo um infarto e correm para o pronto-socorro. Mas o que está acontecendo, na verdade, é uma crise de pânico.
A síndrome do pânico é uma condição real, reconhecida pela medicina, e que afeta milhões de pessoas no mundo. Não é frescura, não é fraqueza e não é algo que a pessoa escolhe sentir. E, como toda doença, tem tratamento.
Entenda a Síndrome do Pânico
É um transtorno de ansiedade caracterizado por crises repentinas e intensas de medo extremo, sem uma causa aparente. As crises costumam durar entre 10 e 30 minutos e podem surgir a qualquer hora: durante o trabalho, no trânsito, em casa ou até durante o sono.
Com o tempo, o medo de ter novas crises passa a interferir na rotina da pessoa, que começa a evitar lugares e situações associados aos episódios anteriores.
Quais são os sintomas?
Durante uma crise, a pessoa pode sentir:
Coração acelerado ou batimentos irregulares
Falta de ar ou sensação de sufocamento
Dor ou aperto no peito
Tontura e sensação de desmaio
Formigamento nas mãos, pés ou rosto
Suor excessivo e tremores
Náusea ou mal-estar no estômago
Sensação de que vai enlouquecer ou perder o controle
Medo intenso de morrer
É comum que a pessoa vá ao pronto-socorro durante a primeira crise e que todos os exames voltem normais. Isso não significa que o sofrimento é imaginário. Significa que a origem do problema é emocional, não física.
Quem é afetado?
A síndrome do pânico pode afetar qualquer pessoa, mas alguns fatores aumentam a predisposição:
Histórico familiar de ansiedade ou transtornos mentais
Períodos de estresse intenso ou mudanças bruscas na vida
Histórico de trauma ou abuso
Uso excessivo de cafeína, álcool ou substâncias estimulantes
Outras condições de saúde mental, como depressão
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito por um psiquiatra ou psicólogo, com base nos sintomas relatados e no histórico do paciente. Antes disso, exames físicos são solicitados para descartar causas cardíacas ou hormonais que possam explicar os sintomas.
Para ser diagnosticada com síndrome do pânico, a pessoa precisa ter tido crises recorrentes acompanhadas do medo persistente de que novos episódios aconteçam.
Como funciona o tratamento?
A combinação mais recomendada envolve:
→ Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a abordagem mais indicada. Ela ajuda a pessoa a identificar e mudar os padrões de pensamento que alimentam as crises.
→ Medicamentos: antidepressivos e, em alguns casos, ansiolíticos podem ser prescritos pelo psiquiatra para reduzir a frequência e a intensidade das crises.
→ Mudanças no estilo de vida: exercício físico regular, sono de qualidade, redução do consumo de cafeína e técnicas de respiração fazem diferença significativa no controle dos sintomas.
O que fazer durante uma crise?
Se você ou alguém ao seu lado estiver em crise de pânico, algumas atitudes ajudam a atravessar o momento:
Respire devagar e com controle: inspire pelo nariz contando até 4, segure por 4 e expire pela boca contando até 4.
Lembre-se de que a crise vai passar: por mais intensa que seja, ela tem fim.
Foque em algo concreto ao seu redor: um objeto, uma cor, um som. Assim você foca no presente.
Não lute contra os sintomas: resistir à crise tende a intensificá-la.
Não passe por isso sozinho(a)
Viver com síndrome do pânico é desafiador, mas é possível se tratar e recuperar a qualidade de vida. O primeiro passo é reconhecer que o que você sente é real e que existe ajuda disponível.
Se você se identificou com os sintomas descritos aqui, não espere a próxima crise para buscar apoio. Procure ajuda no Hospital Memorial: (87) 3862-8900.